O mercado de corretores cresceu, mas nem todos são iguais
O Brasil tem agora mais de 700 mil corretores de imóveis registrados. Em 2025 eram 650 mil. O aumento de 7,7% em um ano mostra um setor em expansão, mas também traz uma pergunta incômoda para quem quer comprar ou vender em Campo Grande: com tantos profissionais disputando o mesmo cliente, como saber em quem confiar?
A resposta não está só no número de inscritos no CRECI. O sistema que regula a profissão em todo o país mudou. O corretor de hoje não é mais apenas quem conhece imóveis. Precisa ser multitarefa, estar nas redes sociais, entender tecnologia e, acima de tudo, construir relacionamento de verdade com o cliente.
O que mudou na profissão nos últimos anos
Segundo dados do Sistema COFECI-CRECI, a profissão atraiu gente mais qualificada. Cresceu o número de corretores com graduação e pós-graduação. Um em cada três fala outros idiomas. Quase 20% sempre sonhou trabalhar com imóveis. O índice de satisfação é alto: 83% dos profissionais se sentem bem na carreira.
Mas o grande diferencial agora é a especialização. Não basta ter registro. O corretor que se destaca é aquele que conhece seu nicho. Alguns focam em imóveis antigos com potencial de reforma. Outros em imóveis comerciais. Alguns em lançamentos. Cada um construiu expertise em um segmento específico.
A tecnologia também entrou de vez. Vídeos dos imóveis, tours virtuais, redes sociais. O corretor que não domina essas ferramentas fica para trás. Mas aqui está o ponto: tecnologia sem confiança não funciona. O presidente do Sistema COFECI-CRECI, João Teodoro da Silva, resumiu bem: o mercado será cada vez mais digital, mas permanecerá sempre baseado em confiança, relacionamento e experiência presencial.
Como isso afeta quem compra ou vende em Campo Grande
Em Campo Grande, o mercado imobiliário segue a mesma tendência nacional. A mediana de preço na cidade é R$ 6.957 por metro quadrado, segundo dados da carteira da Rede Uno em agosto de 2026. Mas essa média esconde grandes diferenças. Royal Park chega a R$ 19.497 por m², enquanto a Tijuca oferece imóveis a partir de R$ 3.935 por m².
Essa variação de preço significa que você precisa de um corretor que entenda o bairro onde quer investir. Não é o mesmo vender um apartamento na Tijuca e outro no Royal Park. Os públicos são diferentes. As estratégias de marketing são diferentes. O tempo de venda é diferente.
Quando você está procurando um corretor em Campo Grande, pergunte: ele conhece bem o bairro onde você quer comprar ou vender? Ele tem imóveis similares vendidos recentemente? Ele consegue explicar por que aquele imóvel custa mais ou menos que outro próximo? Se a resposta for vaga, procure outro.
O perfil do corretor que funciona hoje
A história de Kamille Cunha, mencionada em reportagem da Gazeta do Povo, ilustra bem a mudança. Ela passou 25 anos na moda, trabalhou com marcas como Farm e Renner, e migrou para imóveis durante a pandemia. Seu diferencial? Enxergar potencial em imóveis antigos e reformados. Ela trabalha com um modelo boutique, com poucos imóveis na carteira mas muito conhecimento sobre cada um.
Esse modelo funciona porque estabelece relacionamento de longo prazo. Kamille chega a recomendar que o cliente não venda se achar que não é o momento certo. Isso constrói confiança. O cliente sabe que ela está pensando no interesse dele, não só na comissão.
Em Campo Grande, procure corretores que funcionem assim. Não é necessário ter vindo de outra profissão, mas é necessário ter paixão pelo que faz. Um bom corretor consegue falar sobre o bairro com entusiasmo. Conhece a história dos imóveis. Sabe quem são os vizinhos. Entende o potencial de valorização.
Perguntas que você deve fazer antes de escolher
Quando for conversar com um corretor em Campo Grande, faça perguntas específicas. Quantos imóveis similares ao seu ele vendeu nos últimos seis meses? Qual foi o tempo médio de venda? Qual foi a diferença entre o preço pedido e o preço final? Como ele faz a divulgação? Ele usa redes sociais? Faz vídeos?
Peça referências. Um bom corretor tem clientes satisfeitos dispostos a falar sobre a experiência. Se ele disser que não pode passar contatos por privacidade, tudo bem, mas ele deveria ter depoimentos ou avaliações públicas em algum lugar.
Verifique também se ele está atualizado com os preços do bairro. Use o guia de preços por bairro para comparar o que ele está dizendo com a realidade do mercado. Se o corretor citar valores muito fora da realidade, é sinal de que não acompanha o mercado de perto.
A tecnologia não substitui o relacionamento
Com 700 mil corretores no Brasil e crescimento contínuo, a concorrência é real. Mas isso não significa que qualquer um vai vender seu imóvel. Significa que você tem opções. Use isso a seu favor.
O corretor que investe em tecnologia, que está nas redes sociais, que faz vídeos e tours virtuais, tem vantagem. Mas só se ele também souber ouvir. Só se ele entender o que você quer. Só se ele construir confiança.
Em Campo Grande, o mercado imobiliário está aquecido. Há oportunidades para quem quer comprar e para quem quer vender. Mas tudo depende de encontrar o profissional certo. Não é o primeiro corretor que atender o telefone. É aquele que conhece o mercado, que entende seu bairro, que consegue integrar tecnologia com relacionamento genuíno.
Quando estiver escolhendo, lembre-se: um bom corretor não vende imóvel. Um bom corretor resolve problema. Se ele conseguir resolver o seu, o resto é consequência.

