Quanto o brasileiro financia na compra de imóvel
O brasileiro financia em média 60% do valor do imóvel e precisa juntar 40% de entrada própria. Dados da Trillia, unidade de dados da B3, mostram que no primeiro semestre de 2026 foram financiados 64,8% dos apartamentos e 62,8% das casas. Na prática, quem quer comprar um imóvel precisa ter pelo menos um terço do valor em dinheiro antes de bater na porta do banco.
Essa proporção mudou pouco nos últimos anos, mas o contexto em que ela acontece é bem diferente. Com juros altos e bancos mais seletivos, ter essa entrada não é só uma exigência formal. É o que separa quem consegue financiamento de quem não consegue.
O que isso significa para quem quer comprar em Campo Grande
Em Campo Grande, o mercado se divide em dois. No mercado de usados, a mediana está em R$ 4.972 por metro quadrado. Um apartamento de 60 metros quadrados sai por volta de R$ 298 mil. Para comprar com financiamento, você precisa de entrada de R$ 119 mil.
Nos lançamentos, o preço sobe bastante. A mediana é R$ 10.271 por metro quadrado. O mesmo apartamento de 60 metros custa R$ 616 mil, e a entrada fica em R$ 246 mil. A diferença entre os dois mercados é tão grande que não faz sentido comparar entrada em reais. O que importa é o percentual: em ambos os casos, você precisa de 40% do valor.
Esses números são da carteira da Rede Uno em agosto de 2026 e refletem o que está à venda agora. Dentro do mesmo bairro, o preço por metro varia bastante, então a entrada muda conforme o imóvel específico que você escolher.
Casas exigem entrada maior que apartamentos
As casas financiadas no Brasil tiveram taxa de financiamento de 62,8%, ou seja, entrada de 37,2%. Os apartamentos ficaram em 64,8% de financiamento, com entrada de 35,2%. A diferença é pequena, mas existe.
Em Campo Grande, essa diferença aparece também nos preços. No mercado de usados, casas e apartamentos têm preços por metro parecidos, mas a metragem é diferente. Uma casa típica tem mais metros quadrados que um apartamento, então a entrada em reais fica maior mesmo que o percentual seja o mesmo.
Se você está decidindo entre casa e apartamento, não deixe a entrada ser o único critério. A diferença de 2% no financiamento é menor que a diferença de custo de manutenção, condomínio e outros gastos que vêm depois.
Onde encontrar essa entrada em Campo Grande
Juntar 40% de um imóvel é desafiador. Você tem algumas opções. A primeira é poupar durante anos. A segunda é usar FGTS, que reduz a entrada necessária. A terceira é negociar com o vendedor um desconto ou um parcelamento da entrada.
No mercado de usados de Campo Grande, descontos estão mais comuns. Imóveis que ficam muito tempo anunciados recebem ofertas menores. Se você conseguir negociar 10% de desconto, sua entrada cai de 40% para 36% do novo preço, ou seja, menos dinheiro saindo do bolso.
Nos lançamentos, a entrada é mais rígida. As construtoras têm tabelas de preço e prazos de pagamento definidos. Mas mesmo assim, algumas oferecem promoções em períodos específicos ou flexibilizam o parcelamento da entrada.
Antes de começar a procurar imóvel, faça as contas do quanto você consegue juntar. Depois, procure imóveis que se encaixem nesse orçamento de entrada. Não comece pelo imóvel dos sonhos e tente achar dinheiro depois.
Como o banco avalia sua capacidade de pagar
Ter a entrada não é suficiente. O banco vai olhar se você consegue pagar a parcela mensal do financiamento. A regra geral é que a parcela não pode ultrapassar 30% da sua renda bruta.
Se você ganha R$ 5 mil por mês, a parcela máxima é R$ 1.500. Com essa parcela, em 30 anos de financiamento e taxa de juros de 8% ao ano, você consegue financiar cerca de R$ 180 mil. Somando com a entrada de R$ 120 mil, você chega a R$ 300 mil de poder de compra.
Esse cálculo muda conforme a taxa de juros sobe ou desce. Atualmente, as taxas estão altas. Isso significa que sua parcela mensal fica maior para o mesmo valor financiado, ou você consegue financiar menos para manter a mesma parcela.
Antes de procurar imóvel, simule seu financiamento com a taxa atual. Não use taxa de cinco anos atrás. O mercado mudou, e você precisa saber quanto realmente consegue pagar agora.
Entrada maior reduz o risco do banco
Quanto maior a entrada, menor o risco para o banco. Se você colocar 50% de entrada em vez de 40%, o banco financia menos e você paga menos juros no total. Também fica mais fácil conseguir aprovação.
Em tempos de seletividade bancária, ter entrada maior é um diferencial. Se você tem R$ 200 mil guardado e está olhando imóvel de R$ 400 mil, coloque R$ 200 mil de entrada e financia R$ 200 mil. Sua parcela cai pela metade.
Essa estratégia funciona especialmente bem em Campo Grande, onde o mercado de usados oferece imóveis com preços mais acessíveis. Você consegue juntar entrada maior em tempo razoável e depois procura o imóvel que cabe no seu orçamento.
Fique atento ao tipo de financiamento
No Brasil, existem dois sistemas principais: o SFH (Sistema Financeiro da Habitação) e o SFI (Sistema de Financiamento Imobiliário). O SFH tem teto de R$ 2,25 milhões e taxa de juros regulada. O SFI não tem teto e taxa é negociada.
Dados da Trillia mostram que no primeiro semestre de 2026, o SFH respondeu por 58% dos financiamentos de apartamentos e 63,4% dos de casas. Ou seja, a maioria das pessoas usa o sistema mais regulado e com juros menores.
Se seu imóvel custa menos de R$ 2,25 milhões, procure financiamento pelo SFH. A taxa é menor e as condições são mais previsíveis. Em Campo Grande, praticamente todos os imóveis à venda entram nesse limite.
O que fazer agora
Se você quer comprar em Campo Grande, comece aqui: calcule quanto consegue juntar de entrada nos próximos 12 meses. Depois, veja quanto consegue pagar de parcela mensal. Com esses dois números, você sabe exatamente qual é seu poder de compra.
Depois, compare preços por bairro. Campo Grande tem bairros com preços muito diferentes. No mercado de usados, a variação vai de R$ 3.935 por metro no Tijuca a R$ 6.012 na Vila Vilas Boas. Escolha o bairro que cabe no seu orçamento antes de procurar imóvel específico.
Quando encontrar um imóvel que te interessa, peça ao corretor para simular o financiamento com a taxa atual. Não aceite simulação com taxa de meses atrás. O mercado muda rápido, e você precisa de números reais para tomar decisão.
Dados baseados em levantamento da Trillia (unidade de dados da B3) sobre financiamentos no primeiro semestre de 2026, e na carteira de imóveis à venda da Rede Uno em agosto de 2026.
