Por que empresas alugam escritórios que ainda estão em construção
Em São Paulo, a Amazon e o Nubank assinaram contratos de aluguel para escritórios corporativos antes mesmo das obras terminarem. Essa prática, cada vez mais comum nas grandes metrópoles, responde a um problema simples: faltam prédios de qualidade prontos para ocupar.
A escassez é real. Segundo a CBRE, uma empresa que procura 20 mil metros quadrados tem apenas uma opção pronta em toda São Paulo. Para espaços acima de 10 mil metros quadrados, são sete opções. Diante dessa falta, as corporações não esperam mais. Elas reservam o espaço enquanto o prédio ainda está sendo construído, garantindo o lugar que precisam.
O resultado é que 60% dos 420 mil metros quadrados de novos escritórios entregues em São Paulo em 2026 já estavam pré-locados antes da conclusão das obras. A dinâmica inverte a lógica tradicional: em vez de construir e depois procurar inquilino, o incorporador constrói sabendo que já tem cliente.
Como a falta de oferta dispara os preços dos aluguéis
Na Avenida Paulista, o aluguel chegou a R$ 170 a R$ 180 por metro quadrado, um recorde histórico. Esse salto não acontece por acaso. Ele é resultado direto da combinação entre demanda crescente e oferta reduzida.
Empresas voltaram ao escritório presencial com mais intensidade do que esperado após a pandemia. Ao mesmo tempo, incorporadoras apostaram no residencial durante a crise, deixando de lado projetos corporativos. Agora colhem o resultado: sobra apartamento, falta escritório de qualidade.
A absorção bruta de escritórios em São Paulo até setembro foi de 684 mil metros quadrados, 23% acima da média histórica para o período. A taxa de vacância caiu para 15,5% na cidade, e em imóveis classe AAA chegou a apenas 12,8%. Quando o espaço fica raro, quem oferece pode cobrar mais.
Para o incorporador, a conta é simples: se o aluguel sobe, fica mais interessante construir novos prédios. Mas há um detalhe importante. Os novos edifícios tendem a ser menores, com lajes de até 1 mil metros quadrados. A escassez de grandes áreas contínuas não desaparece apenas porque os preços subiram.
O que isso significa para Campo Grande e para quem investe aqui
Campo Grande não é São Paulo, mas o fenômeno que ocorre lá oferece lições para investidores locais. A cidade cresce. Empresas se expandem. E quando a oferta de espaço corporativo não acompanha a demanda, os preços sobem.
Hoje, o mercado de lançamentos em Campo Grande tem mediana de R$ 10.271 por metro quadrado, segundo dados da carteira da Rede Uno em agosto de 2026. Esses valores já refletem a pressão por espaço em bairros como Royal Park, onde o metro quadrado chega a R$ 19.497. No mercado de imóveis usados, a mediana é R$ 4.972 por metro quadrado, com variações de R$ 3.935 no Tijuca a R$ 6.012 na Vila Vilas Boas.
A diferença entre os dois mercados é enorme, e isso importa. Quem quer investir em imóvel corporativo ou misto em Campo Grande precisa entender que está em um mercado diferente do residencial. A dinâmica de oferta e demanda funciona separadamente.
Se a tendência de São Paulo chegar a Campo Grande, significa que prédios corporativos bem localizados podem se valorizar rapidamente. Empresas locais e filiais de grandes corporações procuram espaço. Quando a oferta é limitada, quem tem o imóvel certo no lugar certo tem poder de negociação.
Onde investir em Campo Grande se a tendência chegar
Em São Paulo, o movimento chamado flight to quality concentrou 60% da absorção em edifícios classe A e A+. As empresas não querem qualquer espaço, querem o melhor. Regiões como Pinheiros, Chucri Zaidan e Paulista viram a vacância cair enquanto outras áreas ficavam vazias.
Em Campo Grande, o paralelo seria investir em bairros que já atraem empresas e profissionais de maior poder aquisitivo. Mas aqui a realidade é diferente. A cidade não tem ainda um mercado corporativo tão segmentado. Isso pode ser uma oportunidade.
Se você está considerando comprar um imóvel para alugar para empresa, procure por localizações com infraestrutura: proximidade com centros de negócios, acesso a avenidas principais, segurança. Bairros em desenvolvimento, onde empresas estão se instalando, tendem a ter demanda crescente.
O diferencial de Campo Grande é que ainda há espaço. Diferente de São Paulo, onde o terreno é escasso e os preços já explodiram, aqui ainda é possível construir. Se a demanda por escritórios crescer, quem tiver imóvel corporativo bem localizado antes da escassez chegar terá vantagem.
Como identificar se um imóvel corporativo é bom investimento
Antes de investir, faça perguntas específicas. Qual é a demanda real de empresas por espaço naquele bairro? Quantas empresas abrem filiais ou escritórios em Campo Grande por ano? Qual é o crescimento esperado?
Compare o preço por metro quadrado do imóvel que você está analisando com outros na região. Se está muito abaixo, pode ser oportunidade. Se está muito acima, pode ser especulação. Procure saber também sobre a qualidade da construção, segurança, estacionamento e acesso.
Lembre-se: em São Paulo, as grandes corporações estão alugando prédios em construção porque não têm opção. Em Campo Grande, ainda há opção. Mas se a demanda crescer como cresceu lá, quem tiver o imóvel certo antes dessa mudança vai lucrar mais.
O mercado corporativo é mais previsível que o residencial. Empresas assinam contratos de longo prazo. Quando alugam, alugam por anos. Isso torna o investimento mais seguro, desde que você escolha bem a localização e o tipo de imóvel.
O ciclo de preços que pode chegar a Campo Grande
São Paulo mostra como funciona o ciclo. Falta espaço, preço sobe, preço alto torna economicamente viável construir mais, novos prédios chegam mas já estão ocupados, falta espaço de novo. É um ciclo que se repete.
Em Campo Grande, ainda estamos no começo. A oferta de espaço corporativo é maior que a demanda. Mas conforme a cidade cresce e mais empresas se instalam, esse equilíbrio pode mudar. Quando mudar, quem tiver imóvel corporativo vai colher os benefícios.
Se você está vendendo um imóvel corporativo agora, não espere muito. Se está comprando para investir, este pode ser o momento certo, antes da escassez chegar. A lição de São Paulo é clara: quando o espaço fica raro, o preço dispara e não volta mais.


