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Investimentos

Fechamento de fábrica na Argentina pode encarecer fertilizante em Campo Grande

·4 min de leitura

Por que o fechamento da fábrica de amônia na Argentina importa para Campo Grande

A Bunge encerrou as operações de sua fábrica de amônia em Campana, na Argentina. A unidade funcionava há mais de 50 anos e produzia insumos essenciais para a fabricação de fertilizantes nitrogenados. Para quem planta na região de Campo Grande ou investe em propriedades rurais, essa decisão tem impacto direto no bolso.

A amônia é a matéria-prima para ureia, o fertilizante mais usado em culturas como milho, trigo e arroz. Sem produção local na Argentina, o abastecimento fica mais dependente de importações ou de outras fontes. E quando a oferta diminui, o preço sobe.

O que a Bunge alegou para fechar a fábrica

A multinacional justificou o encerramento por uma combinação de fatores estruturais. A planta tinha mais de 50 anos de operação, com limitações de infraestrutura e tecnologia obsoleta. Além disso, as condições de mercado e de abastecimento de insumos mudaram nos últimos anos, tornando a operação economicamente inviável.

A empresa também apontou que essa decisão se restringe exclusivamente à unidade de Campana. As demais atividades da Bunge na Argentina continuam, incluindo investimentos em processamento de matérias-primas agrícolas. Mas a perda de capacidade produtiva de amônia é real e não será compensada por outras operações do grupo na região.

Como a Argentina abastecia o mercado de fertilizantes

A Argentina é vizinha do Brasil e historicamente forneceu insumos agrícolas para o mercado sul-americano. A fábrica de Campana produzia não apenas amônia, mas também tiossulfato de amônio, usado em fertilizantes líquidos que fornecem nitrogênio e enxofre. Esses produtos chegavam ao Brasil com custos logísticos menores do que importações de outros continentes.

A Associação de Cooperativas Argentinas (ACA) tinha participação de 17,5% na produção da fábrica. Com o fechamento, essa capacidade desaparece do mercado regional. Quem plantava na região de Campo Grande e comprava fertilizantes argentinos mais baratos agora terá menos opções de fornecimento próximo.

Qual é o impacto esperado nos preços de fertilizantes

Quando uma fonte de abastecimento desaparece, os preços tendem a subir. A amônia é insumo básico, e sua escassez afeta toda a cadeia de fertilizantes. Produtores que dependem de matérias-primas importadas precisam arcar com custos maiores de frete e câmbio.

Para o produtor rural em Campo Grande, isso significa que o custo de plantio pode aumentar. Milho, trigo e soja dependem de adubação nitrogenada para render bem. Se o fertilizante fica mais caro, a margem de lucro diminui, especialmente em safras com preço de commodity em queda.

O impacto não é imediato. Estoques existentes ainda circulam no mercado. Mas nos próximos meses, conforme a demanda por nova produção aumentar, a pressão de preço vai aparecer nas cotações.

Como isso afeta quem investe em propriedades rurais

Quem compra ou vende terra para agricultura em Campo Grande e região precisa considerar o custo de produção na avaliação do imóvel. Propriedades com histórico de bom rendimento dependem de insumos acessíveis. Se o fertilizante fica mais caro, a rentabilidade cai.

Investidores que analisam propriedades rurais devem perguntar ao corretor ou ao vendedor qual é a estrutura de custos esperada para os próximos ciclos de plantio. O fechamento da fábrica argentina é um sinal de que esses custos podem subir. Isso afeta tanto o preço de compra quanto a receita projetada.

Propriedades que já têm contratos de fornecimento de fertilizantes estão mais protegidas. Mas quem planeja expandir a produção ou renovar culturas vai enfrentar preços mais altos. Isso reduz a atratividade do investimento agrícola na região.

Alternativas que o mercado pode buscar

A indústria de fertilizantes não fica parada. Outras produtoras podem aumentar a capacidade de amônia em outras regiões. Nos Estados Unidos, a Yara recentemente comprou uma fábrica de amônia por US$ 1,3 bilhão, sinalizando que há investimento no setor. Mas esses projetos levam tempo para entrar em operação.

A Argentina também estuda aumentar sua produção de ureia para atender ao agronegócio brasileiro. Mas sem a fábrica de amônia da Bunge, a capacidade local fica reduzida. O país teria que investir em novas unidades, o que não acontece da noite para o dia.

Enquanto isso, o Brasil segue dependente de importações. E importação significa custos maiores de logística, câmbio e tributação. Tudo isso acaba no preço final do fertilizante que o produtor em Campo Grande paga.

O que fazer antes de investir em terra ou plantio

Se você está pensando em comprar propriedade rural em Campo Grande para plantio ou investimento, considere o cenário de custos de insumos. Converse com agrônomos e fornecedores sobre as perspectivas de preço de fertilizantes nos próximos 12 a 24 meses.

Peça ao corretor informações sobre o histórico de custos da propriedade e o rendimento esperado com os preços atuais de insumos. Propriedades com bom acesso a fornecedores diversificados são menos vulneráveis a aumentos de preço. Localização perto de distribuidoras e portos também importa.

Se você já é produtor, considere revisar seus contratos de fornecimento e explorar alternativas de fornecedores. Diversificar as fontes de insumos reduz o risco de ficar preso a um preço único quando a oferta cai.

O fechamento da fábrica na Argentina é um lembrete de que o agronegócio é global e vulnerável a decisões de grandes multinacionais. Quem investe em terra precisa pensar nesses cenários antes de assinar o contrato.

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