A intenção de compra bateu recorde em Campo Grande
Campo Grande registrou 52% de intenção de compra de imóveis no segundo trimestre de 2026, o maior índice da série histórica. O número superou em três pontos percentuais o mesmo período de 2025, segundo levantamento do Sinduscon-MS e Brain Inteligência Estratégica divulgado em agosto.
Esse crescimento não é apenas um número. Significa que mais de metade dos consumidores que responderam à pesquisa planeja entrar no mercado imobiliário. E não é intenção vaga: 31% desses compradores pretendem concretizar a compra nos próximos 12 meses, enquanto 68% planejam adquirir um imóvel em até dois anos.
Para quem está pensando em comprar ou vender em Campo Grande, esse dado muda a equação. Uma demanda aquecida reduz o tempo de negociação e pode favorecer vendedores. Para compradores, significa mais opções, mas também pressão de preços em alguns segmentos.
O médio padrão domina 80% das vendas
O motor dessa intenção de compra é bem específico: imóveis de médio padrão com dois e três dormitórios representaram 80% das vendas no segundo trimestre. Não é o luxo que puxa o mercado, e não é o mais barato também. É a classe média buscando estabilidade.
Esse perfil de comprador responde por uma razão simples. O Minha Casa, Minha Vida aqueceu as vendas, segundo Anderson Gonçalves, head Centro-Oeste e Norte da Brain Inteligência Estratégica. Famílias que conseguem financiamento com subsídio federal ou taxa reduzida estão entrando no mercado. Ao mesmo tempo, quem já tem imóvel próprio busca upgrade para algo maior ou melhor localizado.
Se você está vendendo um apartamento de dois dormitórios em Campo Grande, esse é o seu momento. Se está comprando, saiba que a concorrência é maior nessa faixa. Imóveis de um dormitório, segundo o vice-presidente do Sinduscon-MS Rafael Tenuta, já estão quase escassos. Isso abre espaço para novos lançamentos, mas também significa que quem tem esse tipo de imóvel pode esperar mais tempo de negociação.
O estoque está saudável, mas alguns produtos faltam
Campo Grande tem 2.033 unidades residenciais verticais em estoque no segundo trimestre. Para o tamanho do mercado da Capital, esse volume é considerado saudável. Não há superprodução que derrube preços, e não há escassez que congele o mercado.
Mas esse número esconde uma realidade: nem todos os produtos estão igualmente disponíveis. Apartamentos de um dormitório estão raros. Isso significa que construtoras têm espaço para lançar novos empreendimentos, especialmente em tipologias que faltam. E significa que se você está procurando um estúdio ou um apartamento pequeno, pode ter dificuldade em encontrar opções.
O equilíbrio entre oferta e demanda é delicado. Lançamentos caíram 60% em número de empreendimentos (dois lançamentos contra cinco no segundo trimestre de 2025), mas o volume de unidades lançadas cresceu 144% (352 unidades contra 144). Isso quer dizer que os novos projetos são maiores, com mais unidades por empreendimento. Para o comprador, significa menos variedade de projetos, mas mais opções dentro de cada projeto.
Os preços continuam subindo
O preço médio do metro quadrado em imóveis residenciais verticais chegou a R$ 9.857 no segundo trimestre de 2026. Esse é um valor que acompanha uma trajetória de valorização observada nos últimos anos em Campo Grande.
Mas cuidado com esse número. Ele é uma média de toda a cidade e de todos os padrões. Na carteira da Rede Uno em agosto de 2026, imóveis usados têm mediana de R$ 4.972 por metro quadrado, enquanto lançamentos chegam a R$ 10.271. A diferença é de mais de 100%. Dentro de cada bairro, a variação é ainda maior.
A valorização beneficia quem vende e prejudica quem compra. Mas há nuances. Imóveis de médio padrão, que dominam as vendas, têm valorização mais moderada que o luxo. E em alguns bairros, a valorização é menor que em outros. Antes de decidir comprar ou vender, compare preços no seu bairro específico. O valor médio da cidade não corresponde ao imóvel que você vai encontrar.
O crédito segue disponível apesar dos juros altos
Um fator que explica a intenção de compra em alta é a disponibilidade de crédito. O financiamento imobiliário cresceu no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, mesmo com taxas de juros elevadas. Isso sinaliza que bancos estão confiantes na demanda e que consumidores conseguem acessar recursos.
Para o comprador, isso é bom e ruim. Bom porque há opções de financiamento. Ruim porque juros altos encarecem a prestação. Se você está planejando comprar, compare simulações em diferentes bancos. A taxa pode variar bastante. E se está vendendo, saiba que o comprador tem acesso a crédito, o que facilita a negociação.
O que fazer com essa informação
Se você está vendendo em Campo Grande, o mercado está favorável. Demanda aquecida, estoque saudável e preços em alta criam condições para vender mais rápido. Mas não suba o preço só porque o mercado está bom. Compare com imóveis similares no seu bairro e precifique competitivamente.
Se está comprando, saiba que a concorrência é maior. Imóveis de médio padrão com dois e três dormitórios têm mais interessados. Esteja pronto para agir rápido se encontrar o que procura. E negocie bem: mesmo com demanda alta, há espaço para desconto em alguns segmentos.
Se está alugando e pensando em comprar, os próximos 12 meses são críticos. 31% dos compradores pretendem fechar a compra nesse período. Quanto mais esperar, maior a concorrência. Mas não compre por impulso. Faça simulações de financiamento, compare bairros e tipologias, e decida com clareza o que você realmente precisa.


