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Mercado Imobiliário

IPTU no Centro de Campo Grande pode cair: quanto o lojista economiza

·5 min de leitura

A crise do Centro em números: 75,9% de empresas fechadas em sete anos

Campo Grande perdeu 2.613 empresas ativas no quadrilátero central entre 2018 e 2025. O número caiu de 3.439 para apenas 826 negócios em funcionamento. Não é só desemprego: o gasto médio diário dos consumidores despencou de R$ 162 para R$ 42, uma queda de 74% conforme a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas).

Essa devastação comercial não aconteceu por acaso. Mesmo após as obras de revitalização terminadas em 2022, o Centro enfrenta falta de estacionamento rotativo, insegurança, calçadas sujas e uma quantidade crescente de imóveis comerciais vazios. O resultado é que empreender lá ficou mais caro do que em qualquer outro bairro da cidade, enquanto o fluxo de clientes desapareceu.

A Prefeitura reconheceu o problema e anunciou que vai revisar os valores de IPTU para a região. Mas quanto isso representa na prática para quem ainda tenta manter um negócio aberto no Centro?

Como funciona o IPTU e por que está tão alto no Centro

O IPTU é calculado a partir da Planta Genérica de Valores, uma tabela que estabelece quanto a Prefeitura considera que cada imóvel vale. Esse valor de referência multiplica a alíquota do imposto, e o resultado é o que você paga.

O problema no Centro é que essa tabela está desatualizada. Ricardo Dias, diretor-executivo da Sefaz (Secretaria Municipal de Fazenda), deu um exemplo concreto: terrenos anunciados por R$ 50 mil estão sendo avaliados pela Prefeitura em R$ 500 mil para efeito de IPTU. Isso significa que o lojista paga imposto sobre um valor dez vezes maior do que o preço real do imóvel.

Quando o valor de referência sobe, o IPTU sobe junto. E quando a demanda cai, como aconteceu no Centro, o imposto deveria cair também. Mas a Prefeitura não fez essa correção até agora, cobrando impostos sobre valores que não correspondem à realidade do mercado.

Quanto o lojista economiza com a redução de IPTU

A reforma tributária ainda está em elaboração e será apresentada à Câmara Municipal em 2027, então os números exatos não foram divulgados. Mas é possível estimar o impacto.

Se um imóvel comercial no Centro está sendo avaliado em R$ 500 mil quando vale R$ 50 mil, uma redução de 90% no valor de referência significaria reduzir o IPTU em proporção semelhante. Para um lojista que paga R$ 5 mil de IPTU anualmente, isso representaria economizar R$ 4.500 por ano, ou R$ 375 por mês.

Não parece muito? Para quem está fechando as portas, R$ 375 mensais podem ser a diferença entre continuar aberto ou desistir. Multiplicado por 826 empresas ativas no Centro, essa redução liberaria mais de R$ 3 milhões por ano em caixa para reinvestir em estoque, funcionários ou reformas.

Mas há uma pegadinha: a economista Regiane de Oliveira, da Fecomércio-MS, alertou que reduzir o IPTU do proprietário não garante que o lojista que aluga o imóvel receba esse benefício. Se o proprietário não repassar a redução no aluguel, quem trabalha no Centro continua com o mesmo custo.

Outras propostas em discussão: isenção fiscal e tributação de imóveis vazios

A redução de IPTU é apenas uma das ideias em debate. Durante audiência pública na Câmara Municipal em 2025, o vereador Papy, presidente da Casa, defendeu isenção fiscal total para o Centro, argumentando que o custo de empreender lá é muito maior do que em outros bairros.

A arquiteta e urbanista Neila Janes Viana Vieira propôs o caminho oposto: tributação progressiva para imóveis que ficam vazios ou sem uso. A ideia é usar o imposto como ferramenta para forçar a ocupação dos prédios abandonados, que hoje só acumulam valor sem gerar movimento comercial.

Essa proposta faz sentido em Campo Grande. Se um proprietário deixa um imóvel vazio no Centro enquanto ele valoriza, por que não cobrar mais imposto para desestimular essa especulação? O dinheiro arrecadado poderia financiar melhorias na região, como limpeza de calçadas e segurança.

IPTU 2027 terá apenas correção pela inflação

Enquanto a reforma tributária não sai do papel, a Prefeitura confirmou que o IPTU de 2027 terá apenas correção pela inflação, sem aumento adicional. O percentual deve ficar em torno de 4,4%, conforme o IPCA-E (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial).

Isso é uma pequena trégua após a polêmica dos carnês de 2026, quando a taxa do lixo subiu e o desconto para pagamento à vista caiu de 20% para 10%. A Prefeitura também estuda separar a taxa do lixo do IPTU em boletos distintos, o que pode facilitar o entendimento sobre quanto você realmente paga de cada coisa.

O que muda no mercado imobiliário de Campo Grande com essa discussão

Se a redução de IPTU no Centro sair do papel, o impacto será diferente para cada tipo de imóvel. Quem tem apartamento residencial no Centro pagará menos imposto. Quem tem loja comercial também. Mas o efeito maior será psicológico: sinalizará que a Prefeitura reconhece a crise e está tentando reverter.

Isso pode atrair investidores que hoje evitam o Centro por causa dos custos altos. Pode também estimular proprietários a reformar imóveis vazios em vez de deixá-los apodrecendo. E pode dar fôlego para lojistas que estão à beira do fechamento.

Fora do Centro, a reforma tributária também vai revisar valores em bairros que receberam novos loteamentos, como o Jardim Veraneio. Nesses casos, pode haver aumento de IPTU para refletir a valorização real dos imóveis. Se você está considerando comprar ou vender em Campo Grande, essa reforma vai impactar o custo de manutenção do imóvel.

Como acompanhar a reforma tributária e se preparar

A reforma será apresentada à Câmara Municipal em 2027. Se você é proprietário ou lojista no Centro, vale acompanhar as discussões. Se você está pensando em comprar um imóvel comercial lá, espere a reforma sair para ter certeza de quanto vai pagar de imposto.

Para quem busca investimento imobiliário em Campo Grande, a redução de IPTU no Centro pode abrir oportunidades. Imóveis comerciais que estão baratos hoje podem valorizar se a região realmente se recuperar. Mas isso depende de outras ações além do imposto: segurança, limpeza, estacionamento e atração de clientes.

A Prefeitura reconheceu o problema. Agora é questão de executar a solução e ver se ela é suficiente para trazer o Centro de volta à vida.

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