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Mercado Imobiliário

Juros Altos Não Freiam o Mercado Imobiliário

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Mercado Imobiliário Resiste aos Juros Elevados com Novas Oportunidades

O cenário econômico brasileiro atual apresenta um paradoxo interessante: enquanto a taxa Selic permanece em patamares elevados, o mercado imobiliário continua demonstrando sinais de força e expansão. Contrariando a expectativa de que juros altos paralisariam o setor, dados recentes revelam que o financiamento habitacional segue aquecido, impulsionado por fatores estruturais que vão além das flutuações das taxas de juros.

A Diferença Entre a Selic e o Custo Real do Financiamento

Um ponto crucial para entender a resiliência do mercado imobiliário está na compreensão da diferença entre a taxa Selic e o custo efetivo do financiamento habitacional. Embora a Selic esteja em 14%, o financiamento imobiliário sai em torno de 11% a 12% ao ano mais TR (Taxa Referencial). Essa diferença ocorre porque parte significativa dos recursos utilizados no financiamento vem da poupança, que possui regras próprias de remuneração e não acompanha automaticamente a taxa básica de juros.

No primeiro semestre de 2026, os financiamentos com recursos da poupança somaram R$ 93,7 bilhões, representando um avanço de 29% em comparação com 2025. No segmento de crédito para construção, o crescimento foi ainda mais expressivo: o volume mais que dobrou, passando de R$ 12,8 bilhões para R$ 26,5 bilhões. Esses números evidenciam que o mercado continua encontrando caminhos para se expandir mesmo em um ambiente de juros elevados.

Mudanças no Funding: O Novo Desafio do Setor

Se o crédito segue ativo, o principal desafio para o mercado imobiliário nos próximos anos está na estrutura de financiamento de longo prazo. A poupança, que historicamente foi a principal fonte de recursos para o setor, vem perdendo espaço. Em seu lugar, instrumentos do mercado de capitais como LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) ganham cada vez mais importância.

Essa transição traz consigo o desafio do risco de descasamento, já que operações de longo prazo dependem de fontes com características diferentes. A partir de janeiro de 2027, um novo modelo do SFH (Sistema Financeiro da Habitação) entrará em vigor pleno, eliminando a obrigação de direcionar 65% da poupança para habitação. Essa mudança regulatória pode alterar significativamente a dinâmica do crédito imobiliário nos próximos anos, aumentando a relevância do mercado de capitais na sustentação do setor.

Fatores Estruturais Que Sustentam a Demanda

Além das questões de crédito, o mercado imobiliário conta com fatores estruturais que mantêm a demanda aquecida independentemente do ciclo econômico. O primeiro deles é a característica do imóvel como ativo real que protege capital em economias com inflação elevada e câmbio instável. Com a inflação ainda acima do centro da meta do Banco Central, muitos investidores buscam ativos com lastro físico, e o imóvel se posiciona como uma opção segura.

O déficit habitacional brasileiro também funciona como um motor permanente de demanda. Milhões de famílias ainda carecem de moradia adequada, criando uma necessidade que não depende exclusivamente das condições financeiras do momento. Essa demanda estrutural garante espaço para lançamentos e financiamentos mesmo quando as condições são menos favoráveis.

Outro vetor importante é o programa Minha Casa, Minha Vida, que utiliza recursos do FGTS e do Fundo Social para oferecer condições de financiamento mais acessíveis. Desde 2023, mais de 1,9 milhão de moradias foram contratadas nas linhas financiadas do programa, demonstrando seu impacto significativo no mercado.

Crescimento de Lançamentos em Todos os Segmentos

Os dados de lançamentos imobiliários reforçam a narrativa de resiliência do setor. Nos 12 meses até janeiro de 2026, os lançamentos imobiliários cresceram 19,3%. No mesmo período, os lançamentos do Minha Casa, Minha Vida avançaram 20,8%, enquanto o segmento de médio e alto padrão cresceu 11,1%.

Esse desempenho mostra que incorporadores continuam olhando para o ciclo de longo prazo, não apenas para resultados trimestrais. Imóveis de médio e alto padrão bem localizados, assim como ativos que geram renda, merecem atenção especial dos investidores neste cenário. Há também possibilidades de expansão da faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, que poderia ampliar o alcance do programa para famílias de renda média.

Profissionalização do Mercado Como Oportunidade

Um aspecto frequentemente negligenciado, mas crucial para o desenvolvimento do setor, é a profissionalização do mercado imobiliário. O Brasil conta com aproximadamente 750 mil corretores e 74 mil imobiliárias. Esse tamanho de rede de intermediação contrasta com a necessidade de elevar a qualificação dos profissionais.

Considerando que um imóvel representa a maior decisão financeira da vida da maioria das famílias, o papel do corretor é fundamental. Profissionais mais bem preparados podem reduzir problemas relacionados a crédito, documentação, precificação e contratos. Isso tende a diminuir distratos, estoques parados e processos judiciais, além de acelerar a circulação de capital dentro da construção civil.

Um setor com profissionais melhor qualificados atrai mais capital, reduz riscos e amplia o acesso à moradia para mais famílias.

Perspectivas para os Próximos Anos

Embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de redução da Selic em março de 2026, levando a taxa de 15% para 14,75% e posteriormente para 14,25% ao ano em junho, a autoridade monetária mantém uma postura cautelosa diante das pressões inflacionárias e do cenário externo. A expectativa é de uma melhora gradual das condições financeiras à medida que esse ciclo avance.

O mercado imobiliário brasileiro encontra espaço para crescer a partir de diferentes frentes. O crédito segue ativo, a demanda habitacional permanece estrutural e programas públicos sustentam parte relevante das operações. Simultaneamente, mudanças no funding e a necessidade de maior profissionalização colocam novos desafios para o setor. A combinação desses fatores definirá o ritmo de expansão do mercado nos próximos anos.

Para potenciais compradores e investidores em Campo Grande e Mato Grosso do Sul, esse cenário representa oportunidades reais. A Rede Uno está atenta a essas dinâmicas do mercado nacional e local, oferecendo orientação especializada para quem busca investir em imóveis em um ambiente de juros elevados mas com perspectivas de crescimento.

Fonte: BP Money (https://bpmoney.com.br/mercado/mesmo-com-juros-elevados-mercado-imobiliario-encontra-novas-oportunidades-de-crescimento/)

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