Urban landscape with high-rise apartments under a gloomy sky, showing modern city living.
Mercado Imobiliário

Juros mais altos em 2027: quanto custa financiar em Campo Grande agora

·5 min de leitura

A eleição acabou, mas os juros ficam

Lula foi reeleito no dia 25 de outubro com 51,79% dos votos válidos. A incerteza política saiu das urnas, mas entrou no mercado financeiro com força. O dólar subiu mais de 8% na segunda-feira seguinte, a Bolsa caiu 17,34%, e os juros futuros dispararam mais de 260 pontos-base. Para quem quer comprar imóvel em Campo Grande, isso significa uma coisa: o custo do financiamento não vai cair tão rápido quanto se esperava.

A Selic, a taxa básica de juros, está em 13,75% ao ano. Esse número define o piso para tudo que você financia no Brasil, do carro ao imóvel. Quanto mais alta a Selic, mais caro fica pedir dinheiro emprestado ao banco.

Quando os juros caem (e quanto)

As casas de análise divergem sobre o ritmo, mas concordam na direção: para baixo, mas devagar. A Capital Economics prevê a Selic mantida em 13,75% até o fim de 2026. A ASA espera a retomada dos cortes apenas no segundo ou terceiro trimestre de 2027, com a Selic encerrando 2027 em 13%. A Fitch projeta 11,75% no fim de 2027.

Isso significa que se você está pensando em comprar em 2027, o juro provavelmente será mais alto do que era em 2024 ou 2025. A queda vai acontecer, mas em passos pequenos e espaçados.

O que muda na parcela do seu imóvel

Vamos aos números concretos. Um imóvel usado em Campo Grande custa em média R$ 4.972 por metro quadrado, segundo a carteira da Rede Uno em agosto de 2026. Um apartamento de 60 metros quadrados sairia por cerca de R$ 298 mil. Com entrada de 20%, você financiaria R$ 238 mil.

Com a Selic em 13,75%, a taxa média de financiamento imobiliário fica em torno de 9,5% ao ano. A parcela em 30 anos sairia por aproximadamente R$ 2.200. Se a Selic cair para 13% em 2027, como a ASA projeta, a taxa pode recuar para 9,2%, reduzindo a parcela para cerca de R$ 2.140. A economia é real, mas modesta: R$ 60 por mês.

Agora imagine um lançamento. O preço médio por metro quadrado em Campo Grande é R$ 10.271 para imóveis novos. O mesmo apartamento de 60 metros quadrados custaria R$ 616 mil. Com entrada de 20%, você financiaria R$ 493 mil. A parcela em 30 anos sairia por aproximadamente R$ 4.540 com a Selic atual, e cairia para R$ 4.410 se a taxa cair para 13%. A diferença é de R$ 130 por mês.

Esses números mostram que a queda dos juros ajuda, mas não resolve. O impacto maior está em quem já está no limite do orçamento. Se você pode pagar R$ 2.200 mas não consegue pagar R$ 2.300, esperar pela queda dos juros faz diferença. Se o orçamento é de R$ 3 mil, a variação de R$ 60 não muda sua decisão.

Quem se beneficia mais (e quem fica mais exposto)

O mercado imobiliário de Campo Grande tem dois segmentos bem distintos. Empresas concentradas no Minha Casa, Minha Vida são vistas como mais protegidas pela continuidade do programa, que deve seguir com recursos garantidos. Quem compra imóvel novo no padrão médio e alto fica mais exposto aos juros altos.

Se você está olhando lançamentos nos bairros como Royal Park, onde o metro quadrado chega a R$ 19.497, está comprando em um segmento que depende muito da taxa de juros. Quanto mais caro o imóvel, maior a parcela, e maior o impacto de cada 0,5% de variação na Selic.

Quem compra imóvel usado tem mais flexibilidade. Pode negociar o preço com o vendedor, que também está incerto sobre os juros. Pode também considerar aumentar a entrada para reduzir o financiamento. Essas opções não existem em lançamento, onde o preço é fixo e a entrada segue o cronograma da construtora.

O que fazer agora

Se você estava esperando a eleição para decidir, agora tem a resposta sobre a política. Mas tem novas dúvidas sobre juros. Aqui estão as perguntas que você deve fazer antes de assinar qualquer contrato.

Primeiro, peça ao banco uma simulação com a taxa atual e com as projeções para 2027. Não aceite apenas um cenário. Peça a simulação com a Selic em 13,75%, 13% e 11,75%. Assim você vê o pior caso, o caso provável e o melhor caso.

Segundo, compare o custo total do financiamento, não apenas a parcela mensal. Um financiamento em 30 anos custa muito mais do que em 20 anos, mesmo que a parcela seja menor. Veja se consegue pagar em 25 anos ou menos.

Terceiro, se está olhando lançamento, negocie a data de início do financiamento. Quanto mais longe no tempo, maior a chance de a Selic ter caído. Se o imóvel fica pronto em 2028, talvez você consiga uma taxa melhor do que em 2026.

Quarto, verifique se o imóvel que você quer está na faixa de preço que você realmente consegue pagar com a Selic em 13,75%. Não compre apostando em queda de juros. Se a queda não acontecer no ritmo esperado, você fica preso a uma parcela que não pode pagar.

O mercado em Campo Grande segue

A incerteza política saiu. A incerteza econômica entrou. Mas o mercado imobiliário de Campo Grande segue funcionando. Imóveis usados continuam sendo negociados, lançamentos continuam saindo do forno, e pessoas continuam precisando de onde morar.

O que muda é o ritmo. Quem estava esperando para decidir agora tem informação para decidir. Quem estava esperando para negociar agora sabe em que ambiente está negociando. E quem está vendendo sabe que o comprador está mais atento aos juros do que estava há dois meses.

Refaça suas contas com os números de hoje. Não com os juros de 2024. Não com as projeções de 2027. Com os juros de agora. Se a conta bate, você está pronto para comprar. Se não bate, espere a queda dos juros ou procure um imóvel mais barato. Nenhuma das duas opções é errada. Errado é comprar apostando em algo que não controla.

Compartilhar:

Perguntas Frequentes

Receba análises toda sexta-feira

Dados e tendências do mercado imobiliário de Campo Grande direto no seu email.

Artigos relacionados