O mercado do interior realmente aguenta juros altos?
Sim, mas com ressalvas. Uma pesquisa conjunta do Secovi-SP e SindusCon-SP sobre 42 cidades do interior paulista e Baixada Santista mostra que o setor segue vendendo apesar da Selic em patamares elevados. No primeiro semestre de 2026, o Valor Geral de Vendas (VGV) somou cerca de R$ 20 bilhões, enquanto o Valor Geral de Lançamentos (VGL) ficou estável entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões. A demanda continua aquecida, segundo os economistas que apresentaram os dados.
A razão da resiliência está concentrada em um segmento específico: os financiamentos com recursos do FGTS. Como a taxa de juros do Fundo de Garantia não acompanha a Selic, quem financia por esse caminho segue comprando normalmente. O problema surge no segmento que depende de crédito de mercado, onde as taxas altas afastam a classe média.
Para quem compra ou vende em Campo Grande, isso significa que o mercado de imóveis financiados por FGTS tende a permanecer aquecido. Se você está buscando um imóvel nessa faixa de preço, há oferta. Se está vendendo, há demanda. Mas se o seu imóvel se destina à classe média que depende de crédito de mercado, prepare-se para negociações mais longas.
Por que as incorporadoras freiam novos lançamentos?
Não é falta de demanda. No interior, os lançamentos verticais caíram 15% no segundo trimestre comparado ao ano anterior, mas as vendas caíram apenas 3%. Isso sugere que há muito produto pronto para ser lançado, mas as incorporadoras estão segurando. Elas esperam por três coisas: redução da Selic, resultado das eleições e mais segurança no investimento que vão fazer.
Ely Wertheim, presidente executivo do Secovi-SP, foi direto ao ponto: o setor enfrenta problemas sérios de margem e custos. Os aumentos de mão de obra e insumos pressionam os preços, e ninguém quer lançar um empreendimento caro demais para o mercado absorver.
Em Campo Grande, isso se traduz em menos lançamentos novos nos próximos meses. Se você está procurando um imóvel na planta, a oferta deve continuar menor que a demanda. Se está vendendo um terreno ou um imóvel usado, a concorrência de lançamentos será reduzida, o que pode favorecer sua negociação. Confira os preços atuais de lançamentos em Campo Grande para entender onde está o mercado agora.
Qual é o maior obstáculo para comprar e vender?
Não é só a taxa de juros. A reforma tributária em discussão no Congresso representa, nas palavras de Wertheim, um desafio terrível para o setor. As entidades estão tentando adiar sua implementação, mas ela está na agenda. Quando entrar em vigor, pode mudar completamente a estrutura de custos dos empreendimentos.
Além disso, há incerteza política. Incorporadoras estão esperando o resultado das eleições para tomar decisões de investimento. Essa paralisia afeta diretamente o volume de lançamentos e, por consequência, a oferta de imóveis novos.
Para o comprador em Campo Grande, isso significa que o mercado de lançamentos deve permanecer restrito até que essas incertezas se resolvam. Se você está decidindo entre comprar um imóvel usado ou novo, considere que os lançamentos tendem a ser mais caros e a oferta será menor. Compare os preços por bairro entre usado e lançamento para tomar a melhor decisão.
O mercado de casas cresce enquanto apartamentos desaceleram
No segmento horizontal, o cenário é diferente. Os lançamentos de casas cresceram 44% no primeiro semestre comparado ao ano anterior. O programa Minha Casa, Minha Vida foi o motor desse crescimento, com as unidades econômicas mais que dobrando: 4.823 no primeiro semestre de 2026 contra 2.115 no ano anterior.
Nos apartamentos, o Minha Casa, Minha Vida perdeu participação relativa. Caiu de 56% para 49% no número de unidades lançadas e de 30% para 27% no valor geral. Os demais padrões crescem, mas não compensam essa queda.
A razão está na concorrência de loteamentos fechados, comuns no interior e inexistentes na capital. Cem casas de 1 milhão de reais são raras, mas cem apartamentos desse valor são viáveis. Por isso o ticket médio de casa é menor que o de apartamento.
Em Campo Grande, esse padrão também se repete. Se você está buscando um imóvel mais barato financiado pelo programa habitacional, as casas têm mais oferta que os apartamentos. Se está buscando um imóvel de padrão mais alto, os apartamentos oferecem mais opções. Verifique os preços por bairro para entender onde está concentrada a oferta que você procura.
Até onde os preços podem subir sem afastar o comprador?
Há um teto, e ele está próximo. Os custos de construção subiram cerca de 12% ao ano segundo o índice IGMI-R da FGV. Até agora, esse aumento não afastou a demanda, mas Victor Bassan de Almeida, vice-presidente do Interior do SindusCon-SP, avalia que estamos perto do limite.
O equilíbrio depende de dois fatores: a evolução paralela entre preços dos imóveis e renda das famílias. Se os aumentos de preço começarem a superar o crescimento da massa salarial, ou se o endividamento das famílias continuar subindo sem contrapartida de renda, o mercado sofre.
Para quem está negociando em Campo Grande, isso é um sinal de que os preços podem continuar subindo, mas não indefinidamente. Se você está vendendo, negocie agora enquanto há demanda. Se está comprando, saiba que os preços tendem a continuar subindo, mas a velocidade dessa alta pode desacelerar se a renda não acompanhar.
O que muda para Campo Grande daqui para frente?
A parceria entre Secovi-SP e SindusCon-SP vai gerar dados mais completos sobre o mercado do interior. Isso significa que o setor terá informações melhores para tomar decisões. Mas para o comprador e vendedor em Campo Grande, o que importa é que a oferta de lançamentos deve permanecer restrita enquanto as incertezas políticas e tributárias não se resolvem.
O mercado de imóveis usados, por sua vez, deve continuar aquecido, especialmente na faixa financiada por FGTS. Se você está decidindo entre comprar novo ou usado, considere que o novo terá menos oferta e preços mais altos, enquanto o usado oferece mais variedade e preços mais acessíveis.
Acompanhe os preços do metro quadrado por bairro em Campo Grande para entender como o seu bairro está evoluindo. Com essas informações, você toma decisões melhores, seja comprando, vendendo ou apenas acompanhando o mercado.


