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Mercado Imobiliário

Shoppings em Campo Grande precisam aprender com Dubai sobre experiência

·5 min de leitura

O que Dubai ensina sobre shoppings além de lojas

O Dubai Mall recebeu 110 milhões de visitantes em 2025 não porque tinha as melhores lojas, mas porque oferecia razões para estar lá além de comprar. Com 455 mil metros quadrados de área locável, 1.200 lojas, um aquário com 400 tubarões, pista de gelo olímpica e acesso ao Burj Khalifa, o complexo se transformou em destino urbano. Não é shopping. É uma cidade climatizada dentro de uma cidade.

A diferença entre Dubai e Campo Grande não está no tamanho. O Shopping Aricanduva em São Paulo, o maior do Brasil, tem 263 mil metros quadrados com 500 lojas. Dubai é maior, mas a lição verdadeira é outra: como fazer com que as pessoas queiram estar ali, independente de precisarem comprar algo.

Carlos Frederico Youssef, diretor-geral da Alqia, administradora de shopping centers do grupo HSI, resume assim: Dubai transformou um shopping em um destino. O consumidor não vai porque precisa. Vai porque quer estar ali.

Por que Campo Grande precisa disso agora

O comércio eletrônico já tirou do shopping a exclusividade de ser o único lugar onde se compra. Quem quer uma bolsa de marca encomenda pelo celular e recebe em casa. Se o shopping depender apenas de vendas de produtos, perde. A batalha agora é oferecer o que a internet não consegue: tempo, convivência e experiência física.

Em Campo Grande, os shoppings existentes começam a entender isso. Mas ainda há espaço para aprender. A cidade tem população de 900 mil habitantes. Não precisa de um Dubai Mall. Precisa de shoppings que funcionem como centralidades urbanas, onde as pessoas passem por múltiplos motivos durante a semana.

Glauco Humai, CEO da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), explica que no Brasil os shoppings têm trajetória ligada ao cotidiano das pessoas. Sua evolução acompanha as necessidades do público e as particularidades de cada região. Campo Grande não é Dubai. Mas pode aprender o método: diversificar os motivos de ida.

Como shoppings diversificam em vez de apenas vender

A estratégia é combinar varejo com gastronomia, entretenimento, saúde, educação, serviços e até hotelaria. Quanto mais motivos diferentes levam uma pessoa ao shopping, mais vezes ela passa por lá durante o mês. Não é só compra. É consulta médica, aula de educação continuada, happy hour, cinema, academia, escritório de advocacia.

No Brasil, os principais grupos já aplicam isso. A Multiplan desenvolve residências ao lado de shoppings. No ParkJacarepaguá no Rio, há oito torres residenciais em parceria com a MRV. A Allos transformou o entorno do Parque D. Pedro Shopping em Campinas com 17 torres residenciais e comerciais. O Iguatemi Campinas criou o bairro Casa Figueira com 1 milhão de metros quadrados integrado ao shopping.

A lógica é simples: quanto mais moradia, trabalho, hotelaria, serviços e entretenimento conectados ao shopping, mais ocasiões existem para o consumidor passar por ele. Não é apenas um lugar para fazer compras. É um bairro.

Em Campo Grande, os shoppings existentes têm espaço para aplicar isso em escala menor. Um shopping que oferece academia, consultório, restaurante, cinema e coworking atrai gente todo dia por razões diferentes. Alguém vai fazer compra, mas também vai levar o filho na aula de natação, trabalhar algumas horas, almoçar e voltar para casa. Passou pelo shopping três vezes em um dia.

O que muda no preço de imóveis perto de shoppings assim

Quando um shopping vira centralidade urbana, o entorno muda. Imóveis residenciais próximos ganham valor porque oferecem conveniência. Não é só proximidade de compras. É proximidade de serviços, trabalho, lazer e educação tudo junto.

Segundo dados da carteira da Rede Uno em agosto de 2026, em bairros com mais infraestrutura e diversidade de usos, o preço do metro quadrado em lançamentos varia entre R$ 6.651 e R$ 19.497 dependendo da localização. A diferença não é só pela construção. É pela vida que existe ao redor.

Quando um shopping funciona como centralidade, o bairro fica mais atrativo. Quem compra um apartamento próximo não está comprando apenas um imóvel. Está comprando acesso a um ecossistema. Isso justifica preços mais altos e ocupação mais rápida.

Em Campo Grande, um shopping que oferecesse essa diversidade de usos transformaria o bairro onde está. Não seria apenas um ponto de comércio. Seria um lugar onde as pessoas passam tempo, trabalham, estudam e se divertem. Imóveis no entorno ganhariam valor por isso.

Como Campo Grande pode começar

Não se trata de copiar Dubai. Trata-se de aprender o método. Um shopping em Campo Grande pode começar pequeno: identificar espaços ociosos e preencher com usos diferentes de varejo. Um consultório médico, um estúdio de pilates, um espaço de coworking, um restaurante que funcione como bar à noite.

A Emaar, que controla o Dubai Mall, está investindo 1,5 bilhão de dirhams (R$ 2 bilhões) para adicionar 240 lojas e 41 mil metros quadrados. Não para vender mais produtos. Para criar mais razões de as pessoas estarem ali.

O fundador e CEO da Emaar, Mohamed Ali Alabbar, defende que o futuro são comunidades integradas, não residências isoladas. Isso vale para shoppings também. O futuro não é shopping isolado. É shopping integrado a um bairro, com múltiplos usos e múltiplas razões de ida.

Em Campo Grande, quem compra um imóvel próximo a um shopping assim ganha. Quem investe em um shopping assim ganha. Quem mora no bairro ganha. É a lição que Dubai, com seus 110 milhões de visitantes anuais e ocupação de 99,6%, está dando ao Brasil.

A questão não é se Campo Grande vai ter um Dubai Mall. É se os shoppings da cidade vão aprender que compra é apenas um dos motivos pelos quais as pessoas precisam estar em um lugar. Quando entendem isso, tudo muda. O imóvel ao lado vale mais. O bairro fica mais vivo. A cidade cresce melhor.

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