O que os brasileiros realmente pensam sobre Airbnb em condomínios
Quatro em cada dez brasileiros defendem que o condomínio possa autorizar ou vetar o aluguel por temporada, enquanto três em cada dez acreditam que a decisão deve ser só do proprietário. Uma pesquisa da Loft com 1.400 pessoas entre julho de 2026 mostra que não existe consenso sobre quem manda quando o assunto é Airbnb.
Em Campo Grande, essa divisão de opiniões tem peso real. Proprietários que pensam em alugar uma unidade por temporada precisam entender que a decisão não é só deles. O condomínio pode ter regras, a legislação pode ter restrições, e os vizinhos podem ter problemas com a rotatividade de hóspedes. Antes de listar um imóvel em plataforma de hospedagem, o primeiro passo é consultar a convenção do condomínio e conversar com o síndico sobre as regras locais.
Um em cada seis moradores já enfrentou problema com hóspedes de curta temporada
Os conflitos não são teóricos. Dezesseis por cento dos entrevistados relataram ter tido algum problema no próprio prédio por causa de hóspedes de curta temporada: barulho, insegurança ou alta rotatividade de pessoas. Esses números sugerem que em Campo Grande também há condomínios onde a prática já gera tensão.
Se você mora em um edifício onde alguém aluga unidades por Airbnb e sente os efeitos disso, saiba que sua reclamação não é isolada. O problema é nacional. Mas também significa que se você quer alugar sua unidade por temporada, precisa estar preparado para possível resistência dos vizinhos e das regras condominiais. Antes de anunciar o imóvel, verifique se há outras unidades já alugadas dessa forma no prédio e como o condomínio tem lidado com a situação.
Proprietários usam Airbnb para gerar renda, mas nem sempre podem
Onze por cento dos entrevistados já alugaram ou tentaram alugar a própria unidade por Airbnb ou plataformas semelhantes. Essa modalidade aparece como alternativa para quem quer rentabilizar um imóvel, especialmente em cidades como Campo Grande que recebem turistas e viajantes a negócio.
A renda extra é atraente. Um imóvel de dois quartos em um lançamento de Campo Grande custa em média R$ 10.271 por metro quadrado. Se o aluguel tradicional rende pouco, o aluguel por temporada pode parecer mais rentável. Mas essa conta só funciona se o condomínio permitir e se a legislação local não tiver restrições. Proprietários que querem explorar essa modalidade devem calcular também os custos de manutenção, limpeza entre hóspedes e possível taxa de condomínio maior para unidades alugadas por temporada.
O STJ decidiu que dois terços dos condôminos precisam autorizar
Em maio de 2026, o Superior Tribunal de Justiça determinou que a exploração recorrente de imóveis residenciais por locações de curta temporada depende de autorização expressa de dois terços dos condôminos. A decisão não proibiu o Airbnb automaticamente, mas reforçou o papel das regras condominiais.
Para quem está em Campo Grande e pensa em alugar por temporada, isso significa que uma simples aprovação em assembleia não é suficiente. Se o condomínio quer permitir a prática, precisa de dois terços de concordância. Se você é síndico ou mora em um edifício onde essa questão está em pauta, saiba que essa é a regra que o STJ estabeleceu. A discussão judicial ainda está em andamento, mas essa decisão já vale.
Trinta e seis por cento dos brasileiros têm algum contato com a prática
Mais de um terço dos entrevistados afirmou ter algum tipo de contato com estadia curta em condomínios: usaram a modalidade, enfrentaram problemas com hóspedes, ou moraram em prédios que permitem, proíbem ou já discutiram a prática. Significa que o tema não é marginal. É algo que afeta uma parcela relevante das pessoas que vivem em condomínios.
Em Campo Grande, se você está comprando um apartamento em um lançamento ou no mercado usado, vale perguntar ao corretor se há unidades alugadas por temporada no prédio. Se está vendendo, saiba que essa informação pode interessar ao comprador. Se é síndico, prepare-se para que essa discussão chegue na assembleia mais cedo ou mais tarde.
Como decidir se aluga por temporada em Campo Grande
Antes de listar seu imóvel em Airbnb ou plataforma similar, faça três perguntas. Primeira: a convenção do condomínio permite? Leia o documento ou peça ao síndico para esclarecer. Segunda: quantos vizinhos já fazem isso? Se ninguém faz, você será o primeiro e pode enfrentar resistência. Se vários já fazem, o caminho está mais aberto. Terceira: a renda extra compensa os custos e o risco de conflito com vizinhos?
A pesquisa da Loft mostra que a discussão sobre Airbnb em condomínios não tem resposta única. Mas em Campo Grande, como em qualquer cidade, a regra é clara: o condomínio tem poder para regular a prática. Proprietários que ignoram isso correm risco de ter o aluguel bloqueado ou enfrentar processo. Síndicos que querem permitir precisam de dois terços de apoio. Moradores que sofrem com a rotatividade têm direito de reclamar e cobrar solução.
O que muda se você está comprando ou vendendo
Se está procurando um imóvel em Campo Grande, pergunte se há restrição a aluguel por temporada. Alguns proprietários compram especificamente para alugar por Airbnb, e isso pode significar maior rotatividade de pessoas no prédio. Se isso incomoda você, escolha um condomínio que proíba a prática. Se está vendendo e quer atrair investidor, mencione que o condomínio permite aluguel por temporada. Se está vendendo e o condomínio proíbe, deixe claro para evitar desentendimentos depois.
A carteira da Rede Uno em agosto de 2026 mostra que imóveis em lançamento custam em média R$ 10.271 por metro quadrado em Campo Grande, enquanto imóveis usados custam R$ 4.972. Essa diferença de preço também reflete expectativas diferentes de rentabilidade. Quem compra na planta às vezes pensa em alugar por temporada. Quem compra usado pode estar buscando moradia. Mas a regra é a mesma para os dois: o condomínio manda.
A tendência nacional é de mais discussão sobre o tema. O STJ já decidiu, mas a prática continua evoluindo. Em Campo Grande, proprietários, síndicos e moradores precisam estar atentos às regras do seu prédio e dispostos a conversar sobre o assunto antes que conflitos apareçam.

