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Mercado Imobiliário

Aluguel em Campo Grande sobe 16,91% em 2026: o dobro da inflação

·6 min de leitura

Campo Grande tem o maior aumento de aluguel entre capitais em 2026

Campo Grande lidera o ranking nacional de aumento de aluguéis no acumulado de janeiro a setembro de 2026, com alta de 16,91%, segundo o Índice FipeZAP de Locação Residencial. A capital de Mato Grosso do Sul deixa para trás Natal (14,36%), Aracaju (13,39%) e Fortaleza (12,49%).

Para quem aluga na cidade, o número significa uma realidade concreta: o aluguel subiu quase quatro vezes mais que a inflação oficial do período, que ficou em 3,95%. Enquanto a maioria dos preços da economia cresceu de forma controlada, quem paga aluguel em Campo Grande sentiu no bolso uma pressão muito maior.

O dado vem do FipeZAP, que monitora 36 cidades brasileiras a partir de anúncios de apartamentos. A metodologia acompanha os preços anunciados para novos contratos, não os reajustes dos contratos já existentes. Isso significa que nem todo inquilino em Campo Grande teve aumento de 16,91%, mas quem está procurando um imóvel novo enfrenta essa valorização.

Por que Campo Grande subiu tanto enquanto São Paulo subiu pouco

A diferença entre as cidades revela mercados imobiliários muito distintos. São Paulo, a capital mais cara do país, acumula aumento de apenas 4,93% em 2026 e 6,22% em 12 meses. Rio de Janeiro sobe 11,86% no ano. Campo Grande, com crescimento quase quatro vezes maior que São Paulo, mostra um mercado de aluguel sob pressão diferente.

Segundo Mariangela Silva, economista do Grupo OLX, essa desaceleração em mercados como São Paulo pode estar relacionada à redução de espaço para reajustes quando a inflação está controlada, à capacidade de pagamento das famílias e às condições locais de oferta e demanda. Em Campo Grande, a demanda por aluguel segue aquecida enquanto a oferta não acompanha no mesmo ritmo.

O comportamento também reflete que mercados menores têm menos histórico de reajustes, deixando espaço para correções maiores quando a demanda aumenta. Juros altos e financiamento mais restritivo também empurram famílias para o aluguel, sustentando a demanda na cidade.

Aluguel em Campo Grande custa menos que São Paulo, mas sobe mais rápido

O preço médio anunciado para aluguel residencial em Campo Grande é de R$ 32,95 por metro quadrado, segundo o FipeZAP de setembro de 2026. É o segundo menor entre as capitais monitoradas, ficando atrás apenas de Teresina (R$ 32,59).

Para comparar: São Paulo cobra R$ 65,78 por metro quadrado, o dobro de Campo Grande. Um apartamento de 50 metros quadrados teria aluguel estimado de R$ 1.648 em Campo Grande contra R$ 3.289 em São Paulo. Os valores não incluem condomínio, IPTU ou outras despesas.

Mas o preço menor não significa que o mercado seja mais acessível. O aumento de 16,91% em Campo Grande é muito mais acelerado que em São Paulo. Quem aluga na capital sul-mato-grossense enfrenta reajustes bem maiores a cada renovação de contrato, mesmo partindo de um patamar mais baixo.

Apartamentos pequenos em Campo Grande sofrem mais pressão

Unidades de um dormitório apresentam preço médio de R$ 72,68 por metro quadrado nacionalmente, bem acima da média geral. Imóveis de três dormitórios têm valor médio de R$ 47,22 por metro quadrado. A diferença é significativa: quanto menor o apartamento, maior o custo proporcional.

Em Campo Grande, essa dinâmica também vale. Quem procura um apartamento compacto para alugar enfrenta preços proporcionalmente maiores. Apartamentos de dois dormitórios registraram a maior valorização em 12 meses nacionalmente, de 10,15%, indicando que o segmento intermediário também está sob pressão.

Se você está procurando aluguel na cidade, compare o preço por metro quadrado entre diferentes tamanhos. Um apartamento de 30 metros quadrados pode custar proporcionalmente muito mais que um de 60 metros. Negocie com o proprietário antes de assinar o contrato, porque os valores anunciados têm margem.

Aluguel sobe mais rápido que compra em Campo Grande

Enquanto os aluguéis subiram 9,13% nos últimos 12 meses nacionalmente, os preços de venda dos imóveis residenciais avançaram 5,51% no mesmo período. A diferença de 3,62 pontos percentuais mostra que o mercado de locação continua registrando valorização mais intensa que o de compra e venda.

Em Campo Grande, essa dinâmica favorece proprietários e pressiona inquilinos. Quem tem imóvel para alugar vê o valor do contrato subir mais rápido. Quem precisa alugar sente o bolso apertar.

Para investidores, o FipeZAP estima rentabilidade média bruta de 6,13% ao ano com locação residencial nacionalmente. Mas esse retorno permanece inferior à taxa real de juros de referência projetada para os próximos 12 meses. Quando você desconta manutenção, tributos, vacância e períodos sem inquilino, o retorno real fica menor ainda. Antes de investir em aluguel, compare com outras aplicações financeiras.

O que fazer se você aluga em Campo Grande

Se o seu contrato está próximo do vencimento, prepare-se para reajuste. O aumento de 16,91% em 2026 mostra que o mercado está aquecido. Negocie antecipadamente com o proprietário, ofereça pagar adiantado ou assinar contrato mais longo em troca de reajuste menor.

Procure imóveis em bairros com menos pressão de demanda. Consulte os preços por bairro para entender onde o aluguel está mais acessível. Às vezes, mudar de bairro custa menos que aceitar um reajuste alto no bairro onde você está.

Documente tudo. Tire fotos do imóvel antes de entrar, faça vistoria com o proprietário e deixe por escrito o estado da unidade. Quando o contrato terminar e você sair, terá comprovação do que era responsabilidade sua e do que era do imóvel.

O que significa para quem quer comprar em Campo Grande

Se você está decidindo entre alugar ou comprar, o aumento de 16,91% em 2026 muda a conta. Quanto mais rápido o aluguel sobe, mais perto fica o ponto de equilíbrio onde comprar fica mais barato que alugar.

Simule: se você aluga um apartamento de R$ 1.500 por mês e o aluguel sobe 16,91% ao ano, em um ano estará pagando R$ 1.753. Em cinco anos, com aumentos acumulados, o valor mensal pode chegar a R$ 3.200 ou mais. Comprar com financiamento pode sair mais barato a longo prazo.

Converse com um corretor sobre as opções de financiamento. Taxas de mercado pós-fixadas referenciadas em IPCA podem ser interessantes em cenário de inflação controlada. Compare com aluguel antes de decidir.

Campo Grande desacelera, mas continua acima da inflação

Nacionalmente, o ritmo de aumento dos aluguéis vem perdendo força. Em setembro, os preços subiram apenas 0,52%, a menor variação mensal desde abril. Mas o acumulado de 12 meses chegou a 9,13%, praticamente o dobro da inflação de 4,58%.

Em Campo Grande, a desaceleração também deve chegar, mas o patamar atual de 16,91% em 2026 mostra que ainda há espaço para reajustes. O mercado não desacelerou tanto quanto em São Paulo ou outras capitais.

Se você está planejando se mudar para Campo Grande, não adie a decisão esperando queda. O mercado de aluguel segue aquecido. Procure agora, compare preços entre bairros e negocie antes de assinar contrato. Cada mês que passa, o aluguel médio sobe um pouco mais.

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