Por que uma torre em Santa Catarina importa para quem compra imóvel de luxo em Campo Grande
Um edifício de 406 metros começou a ser desenhado não no papel, mas em túnel de vento. A Lotisa, incorporadora com tradição em Santa Catarina, está construindo em Balneário Camboriú uma torre de 114 andares no terreno de uma ex-agência do Bradesco. O projeto tem valor geral de vendas estimado em R$ 2 bilhões e apartamentos começando em R$ 10 milhões.
Para quem compra ou vende imóvel premium em Campo Grande, isso importa. O mercado de alto luxo no Brasil é concentrado e conectado. Quando uma incorporadora de peso investe R$ 4 milhões em engenharia para resolver desafios de uma torre dessa altura, está estabelecendo novos padrões que depois migram para outras cidades. Campo Grande tem alguns empreendimentos de luxo, mas nada que chegue perto dessa escala ou desse investimento em tecnologia estrutural.
O lançamento está marcado para dezembro de 2026, com obras começando em fevereiro de 2027 e entrega entre seis e sete anos depois. Enquanto isso, o projeto já está mudando como se pensa construção em altura no país.
Como o vento de 400 metros muda a engenharia de um prédio
Em edifícios convencionais, o vento é uma variável. Em uma torre de mais de 400 metros, ele vira um dos elementos centrais do projeto. A Lotisa contratou a RWDI, consultoria canadense que trabalhou no Burj Khalifa em Dubai, para fazer testes em túnel de vento que reproduziram não só o futuro edifício, mas também os prédios vizinhos relevantes.
Os testes chegaram a produzir mudança concreta no desenho. Ao aumentar em 18% a abertura no topo da torre, a Lotisa conseguiu reduzir em 30% os esforços de momento na fundação. Uma decisão no topo alterou o comportamento estrutural de toda a estrutura.
A torre terá um Tuned Mass Damper com mais de 700 toneladas instalado na parte superior. O equipamento funciona como uma massa controlada que se movimenta em sentido contrário às oscilações provocadas pelo vento, reduzindo a sensação de movimento nos pavimentos superiores. Segundo o CEO da Lotisa, Fábio Inthurn, o sistema não foi adotado para corrigir um problema estrutural, mas como camada adicional de conforto.
A engenharia de vento e comportamento estrutural representa aproximadamente 5% do custo total da obra. É um investimento que em Campo Grande ainda não vemos em escala similar, porque os prédios aqui não chegam perto dessa altura.
O que muda no mercado de luxo quando a tecnologia sobe 400 metros
O empreendimento terá 165 unidades residenciais com quatro suítes e áreas a partir de 237 metros quadrados, além de 18 penthouses. Os preços começam em R$ 10 milhões. Isso posiciona o projeto no segmento de alto luxo, não em disputa apenas pela altura, mas pela qualidade, arquitetura, conforto, wellness, tecnologia e acabamentos.
Em Campo Grande, o mercado de lançamento tem mediana de R$ 10.271 por metro quadrado, conforme dados da carteira da Rede Uno em agosto de 2026. Os bairros com maior concentração de lançamentos premium variam de R$ 6.651 na Rita Vieira a R$ 19.497 no Royal Park. Mesmo no Royal Park, o preço por metro está bem abaixo do que um imóvel de R$ 10 milhões em uma torre de 400 metros em Balneário Camboriú representa.
Quando incorporadoras de grande porte investem em tecnologia de ponta para resolver desafios estruturais, isso estabelece expectativas de qualidade que depois se propagam. Compradores de imóveis premium em outras cidades começam a perguntar sobre os mesmos sistemas, os mesmos acabamentos, a mesma engenharia. Campo Grande ainda não tem demanda que justifique esse nível de investimento, mas o mercado local acompanha essas tendências.
A Lotisa afirma que já possui outros dois projetos planejados para Balneário Camboriú em 2027 e 2028, com landbank superior a R$ 5 bilhões em VGV potencial. A empresa está expandindo de forma controlada, mas consistente, em um segmento que em Campo Grande ainda é emergente.
Por que a localização importa mais que a altura
O terreno de 5 mil metros quadrados chegou à Lotisa por meio de parceria com o Bradesco, que tinha uma agência no local. A incorporadora, com atuação tradicional em Itajaí e Praia Brava, decidiu usar este projeto como entrada no centro de Balneário Camboriú. Segundo Inthurn, se a Lotisa fosse entrar no centro da cidade, deveria ser com um projeto realmente excepcional.
A altura é apenas um número. O que realmente importa é a qualidade final do produto e a experiência que proporciona no dia a dia. Balneário Camboriú combina ventos marítimos, relevo e concentração elevada de edifícios altos. Os estudos de impacto de vizinhança indicaram efeito reduzido de sombreamento e compatível com a dinâmica urbana existente.
Para quem compra imóvel em Campo Grande, essa lógica é a mesma. A altura ou o tamanho do empreendimento importa menos que a localização, a qualidade de acabamento, os serviços oferecidos e como o imóvel se integra ao bairro. Se você está olhando para lançamentos premium na cidade, compare não só o preço por metro, mas o que cada bairro oferece em termos de infraestrutura, proximidade a serviços e padrão de construção.
O que você deve observar ao comprar imóvel premium em Campo Grande
Quando uma incorporadora investe R$ 4 milhões em estudos de engenharia antes de vender a primeira unidade, está sinalizando seriedade com o projeto. Em Campo Grande, pergunte ao corretor ou à incorporadora quantos estudos prévios foram feitos. Qual foi o investimento em projeto? Qual é a equipe de engenharia envolvida? Esses detalhes não aparecem no anúncio, mas fazem diferença na qualidade final.
Observe também o padrão de acabamento. O projeto de Balneário Camboriú promete foco em wellness, tecnologia e acabamentos de alto padrão. Em Campo Grande, quando você visita um lançamento premium, verifique se os acabamentos correspondem ao preço cobrado. Compare com outros empreendimentos no mesmo bairro e faixa de preço.
A localização continua sendo o fator mais importante. Nos bairros premium de Campo Grande, como Royal Park e Vila Vilas Boas, o preço por metro em lançamentos varia significativamente conforme a posição exata do imóvel. Um apartamento de frente para a rua não custa o mesmo que um com vista para área verde, mesmo no mesmo prédio.
Se está pensando em comprar imóvel de luxo em Campo Grande, use o projeto de Balneário Camboriú como referência de qualidade, não de preço. A tecnologia, a engenharia e o acabamento que uma incorporadora de grande porte oferece em um projeto de R$ 2 bilhões podem inspirar suas exigências ao escolher um imóvel na cidade. Mas lembre-se: em Campo Grande, você paga menos porque o mercado é menor, não porque a qualidade deva ser inferior.



