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Mercado Imobiliário

Fim da Escala 6×1 pode encarecer imóveis novos em até 11%

·6 min de leitura

O que está em jogo para quem quer comprar um imóvel novo?

Uma proposta de emenda constitucional que tramita na Câmara dos Deputados está acendendo um sinal de alerta importante para quem planeja comprar um imóvel novo nos próximos anos. A PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 — reduzindo a jornada semanal de 44 para 36 horas — pode encarecer os lançamentos imobiliários em até 11%, segundo estimativas de entidades do setor.

A informação foi divulgada pelo Imobi Report, com base em manifestações do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Para quem está de olho em um apartamento na planta em Campo Grande ou em qualquer outra cidade do Brasil, vale entender o que essa mudança pode significar no bolso.

Por que a jornada de trabalho afeta o preço dos imóveis?

A construção civil é um setor altamente dependente de mão de obra. Diferentemente de outras indústrias, grande parte das etapas de uma obra — fundação, estrutura, alvenaria, acabamento — ainda exige trabalho humano intensivo e presencial. Qualquer alteração nas regras trabalhistas, portanto, tem impacto direto nos custos operacionais das construtoras e incorporadoras.

Com a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, as empresas do setor teriam basicamente duas opções para manter o ritmo das obras: contratar mais trabalhadores ou pagar mais horas extras. Em ambos os casos, a folha de pagamento aumenta — e esse custo adicional tende a ser repassado ao preço final do imóvel.

O setor já enfrenta um cenário desafiador. A inflação de insumos como aço, cimento e materiais elétricos segue pressionando as margens das incorporadoras. A escassez de mão de obra qualificada é outro problema crônico. Adicionar uma mudança estrutural na jornada de trabalho nesse contexto representa mais um fator de pressão sobre os custos de produção.

Até 11% de alta: o que isso significa na prática?

A estimativa de aumento de até 11% no custo dos imóveis novos, projetada pelas entidades do setor, pode parecer um número abstrato. Mas vamos colocar em perspectiva.

Imagine um apartamento de dois quartos lançado por R$ 350.000 em Campo Grande. Um acréscimo de 11% representaria um aumento de R$ 38.500 no valor do imóvel, levando o preço para quase R$ 389.000. Para quem financia, esse valor adicional se distribui ao longo de anos de parcelas — tornando o sonho da casa própria ainda mais distante para muitas famílias.

É importante destacar que esse percentual representa uma estimativa do impacto potencial, e que o repasse ao consumidor depende de uma série de fatores: concorrência entre incorporadoras, condições do mercado local, margem de negociação e o perfil do empreendimento. Ainda assim, o alerta das entidades merece atenção.

O cenário atual do mercado imobiliário

Apesar das preocupações com custos, o mercado imobiliário brasileiro segue aquecido. Dados recentes mostram que a intenção de compra de imóveis atingiu o recorde histórico de 50% entre os brasileiros, impulsionada especialmente pela Geração Z. Entre jovens de 21 a 28 anos, 56% manifestam o desejo de adquirir um imóvel — seja para morar ou para investir.

Em São Paulo, o volume de unidades vendidas no acumulado de 12 meses saltou de 138,8 mil no segundo trimestre para 151,7 mil no terceiro trimestre de 2025, segundo dados citados pelo Imobi Report. Esse aquecimento da demanda é um sinal positivo para o setor, mas também significa que qualquer aumento de custo pode ser mais facilmente absorvido pelo mercado — o que, por outro lado, reduz a pressão das incorporadoras para segurar os preços.

No segmento popular, o programa Minha Casa, Minha Vida segue como principal motor do setor. O governo federal projeta contratar 1 milhão de novas unidades em 2026 e mais 1 milhão em 2027, totalizando 3 milhões de contratos desde 2023. O programa já responde por 85% dos lançamentos imobiliários do país, segundo o ministro das Cidades, Jader Filho.

E em Campo Grande, como isso pode impactar o mercado?

Campo Grande vive um momento de expansão imobiliária consistente. Novos bairros planejados, lançamentos em regiões consolidadas e uma demanda crescente por imóveis de médio padrão caracterizam o mercado local. Nesse contexto, qualquer pressão sobre os custos de construção pode afetar diretamente a viabilidade de novos empreendimentos e o preço final ao comprador.

A mão de obra na construção civil em Mato Grosso do Sul já enfrenta desafios de qualificação e disponibilidade — um problema comum em cidades do interior que crescem rapidamente. Uma mudança na jornada de trabalho poderia intensificar essa escassez, tornando ainda mais difícil e caro manter o ritmo das obras em andamento.

Para quem está planejando comprar um imóvel na planta em Campo Grande, o momento atual — antes de uma eventual aprovação da PEC — pode ser estrategicamente favorável. Travar um preço hoje, antes de possíveis reajustes, é uma decisão que merece análise cuidadosa.

O que fazer diante desse cenário?

A aprovação ou não da PEC ainda é incerta, e o debate político em torno do tema deve se estender ao longo de 2026. Mas independentemente do desfecho legislativo, o episódio reforça uma lição importante para quem pensa em comprar um imóvel: esperar pode custar caro.

O mercado imobiliário é influenciado por múltiplos fatores — taxa de juros, inflação, custo de insumos, legislação trabalhista e demanda. Cada um desses elementos pode, isoladamente ou em conjunto, pressionar os preços para cima. Quem age com planejamento e informação tende a sair na frente.

Algumas recomendações práticas para quem está nesse processo:

  • Acompanhe o andamento da PEC e seus possíveis impactos no setor da construção civil;
  • Compare lançamentos disponíveis agora com os preços praticados no mercado local;
  • Consulte um corretor especializado para entender as condições de financiamento disponíveis e as melhores oportunidades do momento;
  • Avalie o custo-benefício de comprar na planta versus imóvel pronto, considerando o cenário de possível alta nos preços futuros.

Conclusão

A discussão sobre o fim da escala 6×1 vai muito além do debate trabalhista. Para o mercado imobiliário, ela representa um novo vetor de custo em um setor que já opera sob pressão. A estimativa de alta de até 11% nos preços dos lançamentos, divulgada por entidades como o Secovi-SP e a CBIC, é um dado que compradores e investidores não podem ignorar.

Na Rede Uno, acompanhamos de perto as tendências do mercado imobiliário de Campo Grande e de todo o Brasil para oferecer as melhores oportunidades aos nossos clientes. Se você está pensando em comprar um imóvel — seja para morar ou investir — fale com um de nossos especialistas e tome uma decisão bem informada.

Fonte: Imobi Report e Valor Econômico.

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